Music  /  P  /  Pedro Abrunhosa  /  Lyrics  /  A Cada Não Que Dizes  /  Lyrics
Pedro Abrunhosa
Genre
-
LetsSingIt Music Player
play all songs
LSI Rank
6,191 (−3,730) history
Fans
0, 0 of your friends
add to favorites
Moderator
This has no moderator.
Options
add song
request lyrics
add album
request album
add news
edit biography
this song :
edit
Poll for May 26
"Do you trust anybody easily?"
yes
no
suggest a poll | old polls
Song score
Rhythm  0.0
Melody  0.0
Instruments  0.0
Lyrics  0.0
Vocal  0.0
This song has been reviewed 0 times. Overall score for this song, -.
Song video
Top 10 Pedro Abrunhosa songs
É Dificil lyrics
Sombra lyrics
Onde Te Vais Esconder lyrics
Manhã lyrics
Se Eu Voltar lyrics
Não Dá lyrics
O Dia Depois De Hoje lyrics
É Preciso Ter Calma lyrics
Novos Pobres lyrics
Beijo lyrics
       
-
unrated
0 reviews

Pedro Abrunhosa - A Cada Não Que Dizes Lyrics

Song details
TitleA Cada Não Que Dizes
ArtistPedro Abrunhosa
AlbumLuz [2007], Track 1 Disc 8
Genre
Rank (−) history »
Charts- view all »
Referring urlsview all »

Song lyrics
(Pedro Abrunhosa | Pedro Abrunhosa)

Lento,
Eu vi morrer o tempo,
Morto por fora e por dentro,
Como um pai enganado,
Um filho roubado,
Uma mão de soldado, um pecado,
Um cálice, um príncipe,
E num salto de lince,
Um fim que está perto,
Um quarto deserto,
Dois tiros no escuro, um peito feito no muro
E o rosto já frio, o som da morte no cio,
O passo a compasso
Das botas cardadas,
Espadas à espera,
O gume,
O lume da fera.
E ninguém percebeu que o mundo inteiro sou eu.

Longe,
Um mar que se rasga e me foge,
Uma dor que, por mais que se aloje, não vale o aço da bala
Coração que me embala, que estala, que empala no medo,
Um dédalo, um dedo,
Um gatilho já preso,
Um rastilho aceso, um fogo às cores pelo céu,
Desenhos loucos no breu,
Pintura pura a canhão,
Talvez vinte homens não cheguem,
Talvez aqueles me levem,
Talvez os outros se lembrem,
Que são homens como os que fogem
E nenhum Deus é maior,
Num ódio feito de dor,
E ninguém reparou que o mundo inteiro parou.

A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.

Fracos,
Como farrapos na cama,
Orgulho feito de lama, e o verbo ser a partir.
Palavras presas na alma, ruas de vento e vivalma,
Um límpido tiro, um suspenso suspiro,
Pietá nas notícias,
Gravatas impunes negando as sevícias
Vozes de ferro, de fogo, de fome, de fuga, de facas,
E as rugas pobres, já fracas,
Um poço morto de sede,
Grafftis numa parede,
E ninguém percebeu, que o mundo inteiro sou eu.

Outros,
Loucos, perdidos, sentidos certeiros,
Crianças feitas guerreiros,
A quem foi roubado o perdão,
Dois braços cheios de pão,
Napalm, na palma da mão,
Um fósforo fátuo,
Nos jornais o retrato
De um estilhaço, um abraço,
Um pedaço de espaço
De uma pátria sem chão.
Uma pétala pródiga, um remorso confesso,
Talvez a dor no regresso,
Talvez um dia o inverso,
Mas isso já eu não peço,
O mundo inteiro a fugir,
O mundo inteiro a pedir.
Que se oiça alto o teu Não.

A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.
A cada não que dizes,
Abre-se um lugar no céu.

Outros,
Fracos,
Longe,
Lento,
Não.
submitted by Virus on 18-03-2008
corrected on 18-03-2008


0 comments 

 Song comments
Be the first one to comment »


All Pedro Abrunhosa on LetsSingIt